Segunda-feira, Maio 29, 2006

En una esquina qualquiera


Quando o desespero se instala, pouco resta aos humanos senão patéticas tentativas de conforto.
Na figura acima, uma aplicação desta ideia a Buenos Aires. Podia ser Trieste, Alicante ou Bordeaux. Podia ser Lisboa.
Bruxinhas, folhas de louro, bagos de arroz, a lua cheia: as pessoas SÃO patéticas.

En una esquina qualquiera



Quando o desespero se instala, pouco resta aos humanos senão patéticas tentativas de conforto.
No exemplar acima, o conforto que alguns habitantes de Buenos Aires encontraram para o seu evidente desespero.

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Quantas vezes é preciso dizer que TÊM que ouvir?



"My voice was given to me as an instrument of inspiration for my friends, and a tool of torture and destruction to my enemies. An instrument of truth." - Diamanda Galás, 1988.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

GUILTY pleasures

Sakis Rouvas - o melhor export da Grécia depois do tzatziki. E não sou o único que o acha.


(gotta love those pants)


shake it!

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Those were the days # 9

Ask our girls how roomy it feels onboard PSA's brand new Lockeed Tristars.
They sure seem to be having a good time!
PSA is the only airline to offer you widebody confort on flights within California.
A new dimension for the 70's!


Come see for yourself! More room for moving around means more room for laughing around.

Fly the California way: fly PSA's Tristars.

PSA. The Airline with a Smile.


The Lockheed Tristar is currently being introduced in selected routes.
Check your travel agent for availability or call us direct, toll-free in the US and Canada.

Domingo, Maio 07, 2006

As séries # 2

The Office

   David Brent: Well, you're not looking at the whole pie, Jenny. Wernham-Hogg is one big pie, and if they've let me in charge of that one big pie, then I'll be in charge of the pie, and the people are the fruit...
   Jennifer Taylor-Clark: I don't have time for the pie thing, David.


The Office é o paraíso do understated British humour. Sem risinhos forçados atrás, sem pausas para o publico pensar, veneno em doses industriais servido a alta velocidade. Não apanhou a piada? Paciência. Não há facilitismos cómicos, não há lugar para a mediocridade. Not everyone's cup of tea, sem dúvida, mas para quem aprecia esta linha de humor, não há melhor.

E agora, o melhor par reprimido de sempre... Tim e Dawn. Adoro-os.



- // -

David Brent: This is the poem Slough, by Sir John Betjemen, probably never been here in his life.

'Come friendly bombs and fall on Slough, it isn't fit for humans now.'

Right, I don't think you solve town planning problems by dropping bombs all over the place, he's embarrassed himself there. Next...

'In labour saving homes with care, their wives frizz out peroxide hair,
and dry it in synthetic air, and paint their nails.'

They wanna look nice, what's the matter, doesn't he like girls?

'And talks of sports and makes of cars, and various bogus Tudor bars,
and daren't look up and see the stars, but belch instead.'

What's he on about? What, has he never burped?

'Come friendly bombs and fall on Slough, to get it ready for the plough.
The cabbages are coming now, the earth exhales.'

He's the only cabbage round here. Overrated.

Brilhante.

Sábado, Maio 06, 2006

(O post anterior está escrito em português vintage. Era só para clarificar isso, não vá um anónimo qualquer querer ensinar-me a escrever. Vá, agora comentem que nem uns danados!)

Página Infantil


O "PRETO"
por MARIA EMÍLIA RIBAS

   -- Oh! preto! Oh! preto!
   -- Não é assim que se diz, meu filho. Êle tem nome.
   -- Sim, avòzinha, eu sei... Mas se ele é preto, porque é que não posso chamar-lhe preto? É mais que preto. É pretalhão.
   -- Não, querido, ele chama-se Vériame, como tu te chamas Carlos!
   Quem defendia assim o negro era uma senhora idosa -- uma vèlhinha já, que enquanto falava ia passando a mão encarquilhada pela cabecita de um belo rapazinho dos seus nove anos, muito rosado e louro, tão louro que os seus caracóis faziam lembrar o trigo maduro a brilhar ao sol do meio-dia.
   -- Êle é muito feio, não é, avó? -- continuou a criança, que sabia bem o encanto da sua carinha linda e a graça do seu corpinho airoso.
   -- Não, meu filho. Embora a Natureza o não tivesse favorecido na figura, possue um dom precioso, a beleza moral -- a verdadeira beleza -- que poderás avaliar por esta história.
   -- Uma história, avòzinha! Prometeste-me uma história mas não contaste... Uma assim como a daquela menina muito bonita, lembras-te?


   -- Não, meu amor, vou contar-te uma história verdadeira, em que não há fadas nem gigantes, mas onde podes ver como é bom e dedicado aquele a quem tu chamas o «preto»: -- Além do teu papá, eu tive outros filhos -- começou a avó --, e entre êles aquele de quem tens ouvido falar, que era, pouco mais ou menos, da tua idade e, como tu, era bonito e louro; mas tinha -- e nisso também com êle te pareces um pouco -- um grande defeito: era orgulhoso e soberbo. Êsse «preto», o Vériame, era já nosso criado, sempre humilde, sempre obediente e muito amigo do seu menino, o meu filho, que não sabia retribuir-lhe essa amizade... Sempre que brincava e o negro se aproximava, dizia-lhe logo: «Arreda daqui! Põe-te a andar... Isto não é para pretos...» -- e êle ia de cabeça baixa, tão triste, tão triste, que se fôsse com tu, que choras por tudo, tinha chorado também! Nunca o designava pelo nome, era sempre o «preto». Mas um dia andava êle à borda de água a brincar, veio uma onda muito grande e levou-o...
Vendo-se em perigo, gritou: «Acudam-me!... Acudam-me!... Vériane! Vériane!». Foi a primeira vez que o tratou pelo nome. Juntou-se muita gente, mas ninguém quís lançar-se ao mar para salvar a criança, que, cansada de lutar com as vagas, perdeu as fôrças e... desapareceu sob as ondas...
   -- Então, avó, estás a chorar? -- acudiu a criança, aflita -- Mas conta, conta o resto...
   -- E quem se lançou ao mar foi êsse «preto» que chamas feio. Quando êste tornou à superfície da água trazia o corpinho do meu filho ainda com vida... Parecia mais lindo, muito branco, muito pálido, como os lírios com que tu brincas...
   A senhora calou-se. Neste momento Carlos reparou no velho Vériame (que tinha ouvido o final da história) e desferiu-lhe um sorriso.
   Carlinhos chegou-se para o negro, ao mesmo tempo que o olhava com os seus grandes olhos azues muito meigos, muito triste, onde se adivinhava o arrependimento das maldades feitas ao pobre Vériame.
   -- Mas, avòzinha, eu não torno mais... o Vériame perdôa porque se está a rir... e tu, avó, ri-te também para mim... -- disse a criança ao mesmo tempo que limpava com os dedinhos a face rugosa da velha senhora, por onde deslisava ainda uma lágrima que brilhou aos últimos raios de sol, que se apagava ao longe, com uma grande rosa côr de fogo a desfolhar-se...


(Revista "África Magazine" - algures nos anos 30)

Terça-feira, Maio 02, 2006

As séries # 1

Parker Lewis Can't Lose

(Trivia time: os alemães chamaram-lhe "Parker Lewis - Der Coole von der Schule". Hilariante.)



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