Sexta-feira, Março 11, 2005

"Adeus, Dragon Inn"

Depois dos testes, retomei as minhas sextas-feiras cinéfilas!
Queria finalmente ver o "Tarnation", mas já não está em exibição... :
Optámos por um filme cuja sinopse me pareceu fascinante: "Adeus, Dragon Inn".



Supostamente o filme trata de um velho cinema em Taipé que vai fechar devido à falta de clientes e à inevitável canibalização pelas salas multiplex... Nessa derradeira noite, o cinema projecta pela última vez um filme clássico do perí�odo áureo do cinema de Hong Kong, precisamente o "Dragon Inn". Mas não está vazio, e por ele vagueiam homens perdidos, homossexuais que usam o velho cinema como local de engate, trocando olhares vazios. Serão reais?

Li isto e achei que era o ponto de partida para um filme interessante e original.

O meu mais-que-tudo Pastelinho (tens uma paciência de santo, como é que me aguentas? :P ) lá me acompanhou ao mí�tico King Triplex. Bom, voltando ao filme.

Foi excruciante. Dolorosamente lento e vazio. Vazio? Inexistente! Não existem diálogos, exceptuando 3 ou 4 linhas no meio... A acção resume-se a subir e descer escadas, a comer um tenebroso bolo-de-arroz (I guess... :s ) cor-de-rosa, a ver 3 homens a urinar durante 15min, uma mulher que parece a morte personificada trincar
ruidosamente umas sementes e procurar um sapato, vários gays engatarem-se no meio de rolos de filme e caixotes e paredes cheias de mofo...

A personagem principal é uma empregada faz-tudo coxa (que o realizador insiste em filmar com requintes de sadismo a subir escadas intermináveis), cujos olhos tristes parecem devorar o mundo; um turista japonês gay que adora meter mãos onde não deve (engatar espí�ritos é má onda, pah!) e um projeccionista (giro!^^ Gajos asiáticos... hehehe!) que ninguém vê.



Confesso a minha impotência perante objectos destes. Acho-os impenetráveis, revestidos de uma aura criada pela crí�tica (A mestria de Miang-Liang Tsai é devastadora!) mas completamente inacessíveis a pessoas ditas normais. Senti-me ligeiramente ridí�culo ao constatar que NÃO, não percebi o filme.

Mas aqui está o problema: não o percebi na altura. Aliás, toda a linha verde até à Baixa foi passada a dizer o pior possí�vel do filme. Mas agora, aqui sozinho no quarto, finalmente fez sentido.



O silêncio, o espaço vazio, o nada da vida daquelas personagens (reais?) invadiu-me, e instalou-se. Seria essa a ideia do realizador? Se era, funcionou muito bem.



É só quando estamos, como eu, sozinhos, que percebemos o porquê daquilo tudo.

Faz sentido.

3 BANANITAS, porque poderia ser um filme magistral. Fica-se pelo "a ver se tiverem paciência - mas foram avisados".

Juanito Banana

0 Comentários:

Postar um comentário

Início