Sábado, Fevereiro 26, 2005

Na estrada de Sintra


Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,

Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distancia que alcanço,
E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao fitá-lo sem vê-lo,

À porta do casebre,
O meu coração vazio.
O meu coração insatisfeito.
O meu coração mais humano do que eu, mais exacto que a vida

Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao volante.
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

Álvaro de Campos

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