Sábado, Dezembro 25, 2004

America... Land of the Free, Home of the Brave! 2ºVolume by Juanito Banana: Xmas in New York


Daniel, só para ti, aqui está a há muito esperada/prometida 2ªparte das minhas "aventuras" em terras do Uncle Sam.

Bem, grande parte do que anteriormente disse aplica-se a esta 2ªviagem aos EUA: de novo um inquérito preliminar em Lisboa, no check-in da TWA ("Não, não transportamos explosivos na bagagem"), que me assustou ainda mais que o anterior. No avião preenchemos os I-94 Immigration Cards, que diversão! Fomos bombardeados com mais perguntas sobre ligações ao partido Nazi, intenção de praticar actividades imorais em território Americano, etc...

Et voilà, chegámos a Nova York num frio dia de Dezembro. Não resisto a postar mais umas fotos do terminal da TWA, que repito, é do Eero Saarinen, esse mago da arquitectura e design Jet-Age:


A escadaria central


Vista do exterior


O hall central, com a "graciosa" (lol) ponte de comunicação


A escadaria central, vista da entrada


O salão de espera, com a enorme parede envidraçada


O túnel de acesso às portas de embarque, quando se andava por ele dava uma sensação estranhíssima de vertigem, pelo menos a mim...


Mais um detalhe do exterior, que denota a fluídez das linhas.


Uma selecção muito boa de alguns pormenores. It's all in the details, you know?

'...a building in which the architecture itself would express the drama and specialness and excitement of travel... a place of movement and transition... The shapes were deliberately chosen in order to emphasize an upward-soaring quality of line. We wanted an uplift.
Eero Saarinen
Desculpem o abuso de fotos, mas este edifício é para mim um dos mais bonitos do Mundo. Apesar disso, nota-se em algumas fotos o estado de degradação em que se encontra!

E lá enfrentámos intermináveis filas de trânsito até ao nosso hotel, que ficava bem perto de Times Square. Chegados, foi só deixar as malas no quarto e já estávamos a caminho de um outro hotel, onde nos esperava um casal amigo dos meus pais, que chegara um dia antes.
Decidimos dar uma volta pela cidade, e eu como puto que era, pedi para subir ao último andar do Empire State Building. Os meus pais concordaram e lá esperámos quase 1h30 para chegar ao 86ºandar.
A vista lá de cima é qualquer coisa de esmagador, especialmente à noite. A selva de prédios, as luzes dos Yellow Cabs em movimento, as iluminações de Natal (a maioria de um bom gosto inquestionável: afinal, é Nova York); tudo misturado com as buzinas e os flashes dos turistas japoneses... =)

Fomos jantar. Seriam umas 20h em NYC, mas para nós era 1h da manhã! Eu já ia para a caminha, mas a minha mãe insistiu que queria ir ver um musical qualquer. Mortos de sono, lá fomos para a barraquinha no meio de Times Square (aquela que diz TKTS) comprar os bilhetes. Só havia para um chamado Swing. Arriscámos.
Chegámos aos teatro e fomos levantar os bilhetes, SURPRISE: só havia 4, e não os 5 necessários! O meu pai ofereceu-se para voltar para o Hotel, mas o gajo da bilheteira arranjou-lhe um, a umas 10 filas de distância.

O espectáculo era relativamente bom, mas nada comparado com o Chicago, por exemplo. Neste momento o jet-lag era tanto, que eu não me aguentava. O pobre homem que ficou ao meu lado deve ter pensado que eu me estava a atirar a ele, porque a minha cabeça caía em direcção ao seu ombro constantemente. Finalmente, aquilo acabou, seria meia-noite lá, ou seja, 5h da manhã cá!

O dia seguinte começou mal: o meu pai não encontrava a mochila onde tinha os 3 passaportes, os cartões de crédito, os dólares, os bilhetes de avião para o regresso... :S

PÂNICO, GRITOS, HISTERIA, ONDE ESTÁ A MINHA MOCHILA CASTANHA DA REEBOK, O MEU REINO PELA MOCHILA CASTANHA DA REEBOK!

Saíu porta fora e voltou ao teatro, que obviamente estava fechado (eram 9h da manhã). Bateu nos vidros (a maneira mais primitiva de chamar a atenção!) e lá conseguiu que um gajo qualquer lhe abrisse a porta. Explicou-lhe que na noite anterior tinha assistido a um espectáculo e que devia ter lá deixado uma mochila recheada de documentos e outras coisas absolutamente vitais à sobrevivência naquela selva urbana.
O tipo levou-o à sala, onde apenas se encontravam umas quantas Dominicanas/Porto-Riquenhas/Mexicanas, ou seja, empregadas de limpeza... Aí o meu pai deu o seu golpe de charme irresistível: comunicou com as guapas em espanhol, o que as deixou de rastos, e completamente rendidas ao allure do pápi!

No, cariño, não sabiam da mochila, mas podiam ver no gabinete do director se estava lá algo...

E ESTAVA, POUSADA NO CANTO E COM O CONTEÚDO INTACTO! Alguma boa alma tivera a simpatia de a entregar na noite anterior...
Segundo consta, o meu pai ficou tão contente que lhes saltou para cima... =) Feliz Navidad para usted también!

Conclusão 1 - Apesar de os americanos serem pessoas simpáticas por natureza, e estarem sempre prontos a mandar um "What can I do for you, sir?", foram as dominicanas/qualquer coisa hispânica que ajudaram o meu pai. Apesar disto, esta enorme fatia da população é negligenciada e maltratada.

O resto dos dias em NYC foram muito, muito agradáveis. Passeios para cima, passeios para baixo, obladi obladá! Ah, pois é, quase fui apanhado pela polícia em Central Park...

Não, seus perversos, eu não fui para trás dos arbustos à noite... :S

A minha mãe insistiu que queria tirar-me uma foto em cima do lago gelado, e lá foi o Juanito, a andar muito devagarinho, temendo pela vida. Tirámos a foto (ficou gira, por acaso) e lá voltei para terra firma... Eis quando aparece um daqueles carros NYPD, e se dedica a aplicar coimas valentes aos outros tristes que andavam em cima do lago! LOL, primeiro perdemos os documentos, depois quase apanhámos uma multa...

O sítio que mais gostei de visitar em Nova York foi o Harlem, tradicionalmente uma zona perigosa (tipo Bronx - mas isso foi antes do Giuliani, o wonder-mayor que salvou NYC das "forces of evil"... LOL). Fomos assistir a uma missa com gospel a uma igreja com um nome hilariante, qualquer coisa como The Sacred Baptist Church of Mount Nebo. Eu, que já era completamente ateu, delirei.
Quando aquilo começou, estavo céptico. O coro lá berrava "Aleluia! ALELUIA! Praise the Lord in Heavens!", mas era tudo tão bimbo! As pretas com os seus chapéus com plumas, naquele estilo chic-pobre-que-não-admite, obesas, o que é que eu estou aqui a fazer?

No fim, era dos primeiros a bater palmas e a gritar "Jesuuuuuuuuuuuus! Ooooooooah, we love ya Jesus!". Foi assim um banho de alegria como nunca antes tinha apanhado, saí de lá divertidíssimo, era tão contagiante! Mas, no entanto, tão genuíno, tão descomplexado! Atenção que o estilo é completamente diferente das missas da IURD brasileiras, ok? C'est complètement diférent!
Enfim, uma experiência mítica para mim, que tenciono repetir quando lá voltar!

Conclusão 2 - Eles são génios da manipulação de massas: vê-se pela Levi's, Coca-Cola, filmes de Hollywood, McDonald's e afins, que já fazem parte da nossa vida e nem sabemos bem porquê.

Depois da show-missa seguímos para um restaurante de Soul Food, comida sulista, fritos e mais fritos gordurosos (ainda não era Vegi nessa altura...) chamado Sylvia's. Havia música incluída no almoço, cantada por uma preta over-weight enfiada num justíssimo vestido sinful-rouge.
"Where are you from?" gritava ela aos presentes.
"Argentina!"
"Yeah, Argentina's the best! Love it! Argentinaaaaa in the hoooouse! And you, sugar?"
"Italy!"
"Ah, Italia, lá doltchei viiitá! Gorgeous! Italy in the houseeeee! How 'bout you folks?"
"Portugal!" - gritam aqui os pobres.
"Hum, ah, ok, well: Por...Ta...Gálei in the house!"
A triste não sabia onde era Portugal! O mais chocante era pensar que um dia antes uma simpática mulherzinha que encontrei no elevador do hotel meteu conversa comigo e chegámos à conclusão que ela adorava Portugal, conhecia isto melhor que eu, à force de já cá ter vindo 4 vezes!

Conclusão 3 - O fosso educacional e cultural na América é gigantesco, há gente cultíssima e outros completamente primários! Eu sei que isto é óbvio de ver, não é necessário ir até lá para comprovar, mas quando somos confrontados assim com a realidade, até dói.

Bem, acho que já chega disto...

Juanito Banana

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