Terça-feira, Novembro 23, 2004

A melancolia...

Na semana do concerto dos Rammstein, na noite de domingo para Segunda, deu um filme simplesmente brutal na 2. Acho que era o aniversário da queda do muro de Berlim (eu tenho uma estranha fixação pelo muro de Berlim.. adorava ter um pedaço...) e passaram uma série de filmes alemães.

Um dos filmes que eles transmitiram foi o poético "Der Himmel über Berlin" (em português "Asas do Desejo"- "ganda" tradução, pelo título parece 1 daqueles filmes com bolinha vermelha - sim, porno!- mas é o mais diferente possível) do Wim Wenders, o realizador alemão com uma semi-fixação por Lisboa (ou não..).

Há já algum tempo que eu queria ver este filme, pois já tinha lido sobre ele na net e estava curiosa - filme alemão passado em Berlim nos anos oitenta, e ainda por cima seguia a história de 1 anjo!

Mas penso que primeiro, não se pode ver este filme num ambiente alegre, ou até acompanhado, porque é o tipo de filme que, como 1 dia alguém escreveu, "é para ver às 3h da manhã, a fumar 1 cigarro sem filtro à luz das velas" ou 1 coisa do género... Eu vi sozinha, deitada na minha cama, e para mim fez o mesmo efeito (ou se calhar foi dos cogumelos alucinogéneos...pois, não sei).

O filme é sobre 2 anjos, Damiel e Cassiel, que seguem de perto a vida humana, e um deles -o Damiel- sente-se particularmente frustrado por não conseguir sentir, não poder tocar em nada nem experimentar as sensações que os humanos conseguem, só pode observar de fora (e mesmo assim ele vê o nosso mundo a preto e branco, não a cores como ele realmente é).

Um dia, durante as suas deambulações, descobre uma trapezista francesa por quem se apaixona, e segue-a de vez em quando, desejando ardentemente poder falar-lhe, tocar-lhe, e ser ele também visto e tocado, mas sabendo que isso é impossível... Serei eu a única pessoa que gosta deste tipo de filmes de desejos e ânsias que não podem ser satisfeitos?

Destaque também para o genial Bruno Ganz, que faz de Damiel (eu sinceramente não o conhecia, mas parece que ele é um actor com formação teatral e tendências introspectivas) de uma maneira tão real que por uns tempos tive receio de estar a ser observada por uma qualquer entidade divina e invisível.

É um filme deliciosamente comovedor e desesperadamente romântico, e sem uma pinga de lamechice, que a mim me tocou profundamente, e restaurou a minha esperança na vida e na existência do amor.

Se gostam de filmes em que a componente visual é a contadora de histórias, com diálogos estranhos (referências a Camus e à ilha Tristão da Cunha) e uma história romântica improvável segundo os padrões de Hollywood, vejam!

Sayonara

Bici

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