America... Land of the Free, Home of the Brave! Or maybe not, but who cares? 1ºVolume by Juanito Banana
NÃO GRITEM: Gosto da América. Yup, it's true. O mortificante questionário continuava neste tom. Mas o melhor era o fim: If you answered Yes to any of the previous questions, your entry in the United States may be denied. É melhor dizer que não, portanto... Mas estas belíssimas questões não demoveram os terroristas do 9-11, pois não? Enfim, 2ªconclusão: os americanos não percebem nada de segurança do estado, e pensam que apanham terroristas com perguntinhas inocentes destas. São, de facto, tristes. Após um estafante voo transatlântico, lá aterrei em Nova York. E sou brindado com esta beleza arquitectónica: o fabuloso terminal Jet-age do Eero Saarinen, arquitecto expressionista. Todo o edifício parece uma ave prestes a descolar, não há uma parede plana, tudo flui, tudo é movimento. Adoro. É Monumento Nacional, e muito bem. ah, estão a ver o café do 2ºandar? Ao lado desse há outro, que se chama Lisbon Bar! =) Nunca me esqueci. Farei um post só sobre isto, porque sou um arquitecto frustrado, sabem? Lol, mais c'est vrai. O pior ainda ver aquelas mutações a que se convencionou chamar...Americanos! Míudos da minha idade com 200kg, famílias inteiras que tinham que se deslocar em carrinhos de golfe pelo parque, porque eram demasiado obesos para andar com aquele calor tropical. E como andar em carrinhos eléctricos é muito cansativo, compensavam tudo com um Mega Cheeseburger with Xtra-Large French Fries (agora Freedom Fries...Arg...) and a Super Big Coke. Míudos de 6 anos já obesos mórbidos... Enésima conclusão: os americanos são masoquistas, e rejubilam-se por isso. São felizes assim. Um hamburger é a maior felicidade do americano médio. O mais humilhante foi uma vendedora de casas em time-sharing que não percebia a diferença entre Portugal e as Filipinas. Achava que só podíamos ser filipinos. Bitch... Última conclusãode hoje: os americanos são duma incultura absolutamente devastadora! Se aguentaram, I doubt that, voltariei 2ªfeira com a parte 2: Xmas in New York. Paradoxos ainda piores, mas duplamente divertidos! Stay tuned... Juanito Banana
Bem, não sei porquê, mas deu-me para recordar os tempos que passei em terras do Uncle Sam. Sempre em turismo, visitei Nova York e a Florida. E, no fundo, gostei. E tenho saudades de Nova York pré 9-11...
Mas aquilo abala os nervos. É um país bom para se visitar uma semanita, mas depois fugir, por favor... A contradição é tão grande, a desproporcionalidade tão aberrante! Visitar os EUA é testar ao máximo a nossa capacidade de encaixe!
Mas ainda hoje recordo alguns pormenores com uma imensa saudade.
O meu primeiro contacto com a dura realidade americana deu-se ainda em Lisboa. Check-in no balcão da defunta TWA (Trans World Airlines). E logo aí se via a paranóia: estava tudo cercado por fitas e fizeram-nos um inquérito preliminar. Eu tinha 12 aninhos, e achei tudo esmagadormente controlador. "Foi você que fez a mala?", "Tem perfeita consciência do que leva na bagagem?" "Aceitou pacotes de terceiros para tranporte para território americano?" "Deixou a sua bagagem sem supervisão em algum momento?" Um rol de perguntas interminável e imbecil... que terrorista é que se intimida com isto? QUEM, EM SEU PERFEITO ESTADO DE CONSCIÊNCIA, VAI RESPONDER QUE SIM? Primeira conclusão: os americanos são control-freaks.
A mais caricata das situações é o preenchimento dos fabulosos I-94 Immigration Cards. You have to see it to believe it. Ainda no avião, são distribuídos estes papelinhos, que devemos preencher com nome, idade, hotel nos EUA, tempo de visita, etc... Até aqui tudo normal. O pior é quando viramos aquela porra ao contrário: somos brindados com esta pérola:
TWA by Eero Saarinen... Um delírio Jet-Age, uma visão inesquecível. 
Desembarque, há que passar a alfândega. e aqui começa o medo a sério. Somos conduzidos a uma sala com um gigantesco friso "WELCOME TO THE UNITED STATES OF AMERICA", e esperamos a nossa vez de ser massacrados por um imbecil oficial do Immigration Office. Há um Taboo nesta sala: Everyone behind the yellow-line. A já mítica linha amarela, a divisória entre a América e o Mundo. É uma merda duma linha. Mas coitado do infeliz que ousar passar o dedo mindinho para além da linha sem ser autorizado. Imediatamente ecoam gritos "SIR, PLEASE GO BEHIND THE YELLOW LINE!!!" É uma obssessão, a puta da yellow-line... 3ª conclusão: os americanos seguem sem discussões as regras. Se a linha não é para passar, ninguém passa mesmo. Que tristeza...
Já cá fora, há que esperar o voo de ligação para a Florida. O lindíssimo terminal estava em estado deprimentemente abandonado: nas casas de banho, paquistaneses com um ar asqueroso ofereciam-nos os seus serviços como limpa-sapatos, as lojas estavam fechadas, tudo parecia parado no tempo. Era pior que a estação de Metro do Colégio Militar, e olhem que não é fácil... Um edifício lindíssimo, a maior pocilga imaginável. 4ª conclusão: os americanos estragam tudo o que têm de bom.
No voo para Orlando, que não é tão pequeno quanto isso, o serviço é inexistente. Nós, vindos de um voo anterior de 7 horas, estávamos cheios de fome. Ofereceram-nos uns peanuts e uma complimentary beverage. Não, não havia orange juice. Tinha acabado. Só água, Coca-Cola ou uma Budweiser, honey... Num voo de 3 horas ou mais. Que desespero. 5ª conclusão: os americanos não têm noção do que é bem receber, do que é um bom serviço. Nos voos internos, um saquinho com pistachios é uma bruta refeição. Santa paciência...
Orlando, ou melhor, DisneyWorld, Universal Studios e o SeaWorld (Orlando é uma cidade insignificante, onde dormem os empregados da Disney) foi honestamente muito divertido. 10 dias de montanhas russas, parques aquáticos e merdas afins, é só rir. E ainda visitámos o Cape Canaveral, de onde eles lançam os Space Shuttles... E onde fiquei a saber que os EUA se orgulham por estourar um budget incalculável em desenvolvimento de foguetões, em vez de melhorarem o seu sistema educativo (que segundo consta, consegue ser mais desorganizado que o nosso...) Nós - "No, we're from Portugal, see?"
Bitch - "Oh, right, ok, so, you are...hum...how do you say it?"
Nós - "Portuguese..."
Bitch - "Yeah, that's it!"

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